OndaJazz celebra 5 anos e milésimo concerto

Trio Nelson Veras canta os parabéns

[caption id="attachment_1421" align="alignleft" width="372" caption="Nelson Veras gravou no Brasil com Steve Coleman e tocou na Europa com Mark Turner"][/caption] OndaJazz fez aniversário de 5 anos, sexta-feira (19), mas quem ganhou o presente foram os convidados que curtiram o milésimo concerto realizado na casa, apresentado por três grandes músicos: o brasileiro Nelson Veras (guitarra), acompanhado pelo francês Matthieu Chazarenc (bateria) e o português Nelson Cascais (contrabaixo). OndaJazz surgiu a meio de uma escadaria de Alfama, graças aos esforços e sonho da família Riou-Felizardo de criar um espaço em Lisboa, um ambiente onde o público pudesse desfrutar de uma boa música. De acordo com Thierry Riou, depois de muita procura por uma espaço onde fosse possível o sonho se tornar realidade, encontraram um antigo armazém, onde a soma de esforços foi fundamental para transformar o velho depósito na acolhedora casa que hoje recebe convidados e músicos de todas as partes do mundo. [caption id="attachment_1422" align="alignright" width="281" caption="O OndaJazz tem apostado numa programação onde cabem a música do mundo, as sonoridades africanas e orientais e os ritmos latinos"][/caption] Thierry disse ainda que atribui o sucesso do local a toda a família OndaJazz: “O OndaJazz é uma empresa completamente familiar, com identidades diferentes e complementares. Tudo que fazemos aqui é discutido entre nós. O meu cunhado Victor cuida da arquitetura, minha irmã Corinne faz a gestão do pessoal, Daniel na gerência e Hugo o chefe de cozinha. Se um tem uma ideia de fazer algo diferente, na música ou na culinária, compartilhamos entre nós e daí chegamos à conclusão final. No principio o OndaJazz era só para musica, pois com o termo OndaJazz queríamos transmitir o conceito de onda de musicas. Mas depois surgiu o restaurante, e queremos dar ao restaurante a mesma alma que damos à música. Escolhemos o menu da mesma forma que escolhemos a musica; damos nossa forma, fazemos tudo com o coração. Toda a gente que trabalha aqui faz parte da casa, ou seja, se envolve com todo ambiente – é assim que funciona”, confessou Thierry. [caption id="attachment_1425" align="alignleft" width="172" caption="Thierry Riou gostaria de ter apoios para divulgar musicos portugueses no estrangeiro"][/caption] Nestes cinco anos de trabalho, Thierry disse que, apesar de já ter ido em busca de apoios em Portugal, nunca obteve nenhum. Da parte francesa conseguiu com a CULTURESFRANCE (agência do Ministério Francês do Exterior, Cultura e Comunicação, responsável pelo intercâmbio cultural internacional) o subsídio de transporte para os músicos franceses se apresentarem aqui em Lisboa, e gostaria de conseguir a mesma coisa das autoridades portuguesas para a divulgação de artistas portugueses em França. “Prosseguimos com o trabalho, porque todos envolvidos no projeto têm amor por aquilo que fazem, que é promover um intercâmbio cultural através da musica, trazendo ao OndaJazz músicos de todas as nacionalidades, entre eles franceses, portugueses, espanhóis e brasileiros. O jazz é universal, não há nacionalidade, não há barreira para a sua musica.As pessoas que vieram aqui, como podem ver hoje, para assistir ao guitarrista Nelson Veras, vão curtir uma boa musica e apreciar uma boa comida. E elas sempre voltam, porque encontram aqui um ambiente familiar, um ambiente com história, com uma identidade cultural”, explicou Thierry. [caption id="attachment_1423" align="alignright" width="269" caption="Nelson Veras toca pela primeira vez em Lisboa"][/caption] E foi isto que o jovem guitarrista baiano Nelson Veras, residente em Paris há quinze anos, o baterista francês Matthieu Chazarenc e o contrabaixista português Nelson Cascais, mostraram no milésimo concerto OndaJazz, para uma plateia composta de convidados, amigos e apreciadores da boa música e das iguarias da casa. Nelson Veras, aos 14 anos de idade captou a atenção do realizador Frank Cassenti, no filme “Just a Dream”, com Pat Metheny, e tocou no Festival de Jazz de Paris. Aos 16 já tinha formado um quarteto com Michel Benita, Eric Barret e Aldo Romano. Tocou ao lado de nomes como Lee Konitz, Dominique di Piazza, Jean-Louis Matinier (entre muitos outros) e gravou o seu primeiro álbum como líder em 2004. [caption id="attachment_1426" align="alignleft" width="270" caption="Nelson Veras, de Salvador da Bahia para Paris"][/caption] Entre os convidados estava o guitarrista português Pedro Jóia, freqüentador da casa há já alguns anos: “Sou amigo do Thierry e hoje estou aqui a convite dele para ver o Veras tocar. Vi o primeiro set, achei muito rigoroso ritmicamente, gostei bastante. Quanto ao OndaJazz, apesar do nome jazz, é uma sala aberta a todo o tipo de música; já ouvi aqui fado, corais de gospel e jazz. Eu mesmo já falei ao Thierry que qualquer dia desses venho tocar aqui, pois gosto muito do ambiente”, disse Pedro Jóia. [caption id="attachment_1424" align="alignright" width="133" caption="Matthieu Chazarenc fez várias passagens por Nova Iorque, onde estudou com John Riley, Kenny Washington, Jeff Ballard e Ari Hoenig"][/caption] Nelson Veras e Matthieu Chazarenc falaram a quadros-cultura.comda satisfação de estarem realizando o concerto: “Para mim é uma honra estar tocando pela primeira vez em Lisboa, pois sempre ouvia falar, mas nunca tinha vindo aqui. É também uma oportunidade de conhecer novas pessoas”, disse Nelson. “Eu e o Nelson nos conhecemos há cerca de 10 anos atrás. Somos bons amigos. Nunca deixamos de ensaiar juntos. Aprendi muito com ele. Somos vizinhos em Paris. Pra mim também é um prazer me apresentar ao lado dele, pela primeira vez em Lisboa”, disse Matthieu. [caption id="attachment_1427" align="alignleft" width="222" caption="Nelson Veras e Pedro Jóia, reunidos por Thierry Riou no 5º aniversário do OndaJazz"][/caption] Matthieu Chazarenc conversou ainda que “talvez haja uma corrente brasileira de jazz, mas acha que o Nelson é mesmo um músico de jazz universal. Não é um guitarrista brasileiro, no sentido de seguir uma corrente brasileira na sua linguagem musical. Nós tocamos, por exemplo, bossa nova, ou Triste (de Tom Jobim), ou temas de Milton Nascimento, e claro que a cultura brasileira está lá, mas ele tem a sua própria maneira de se expressar, de forma única, sem copiar ninguém. É isso que é interessante e o seu ponto forte. Não há ninguém como ele”, completou o baterista e amigo de Veras. Os concertos do OndaJazz são gravados em vídeo e estão disponíveis em http://www.ondajazz.tv
(fotos João Teixeira)


culturabrazileuropa@gmail.com

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