Escola de Samba Estácio de Sá é a homenageada do “Carnaval Histórico 2015”

 

Claudinho e Selminha Sorriso


A nata da nova e da velha geração do samba carioca esteve reunida na última terça-feira (10) na quarta edição do “Carnaval Histórico” realizado no Imperator – Centro Cultural João Nogueira, no bairro do Méier (Zona Norte do Rio), para homenagear a escola de samba Estácio de Sá, herdeira da “Deixa Falar” a primeira agremiação do Brasil. 


O evento contou com a participação de personalidades que fizeram parte da história da escola, como o cantor e compositor Dominguinhos do Estácio, uma das grandes vozes que já passou pelo Sambódromo, autor do inesquecível samba-enredo. “Titi do Sapoti” e compositor do samba que a escola vai levar este ano para a avenida."



Dominguinho do Estacio de Sá


Claudinho e Selminha Sorriso, o casal de mestre-sala e porta-bandeira que brilhou no desfile de 1992, ano em que a vermelha e branca conquistou seu único título no Grupo Especial; Mestre Ciça que esteve à frente da bateria da Estácio entre 1988 a 1997 e foi responsável por torná-la uma das melhores do Carnaval; o mestre-sala Marcinho, neto do lendário mestre-sala Bicho Novo, cujo nome verdadeiro era Acelino dos Santos, um dos fundadores da “Deixa Falar” e da Unidos de São Carlos (atual GRES Estácio de Sá) e Zeca da Cuíca, referência para qualquer cuiqueiro.


Aliás, um dos momentos mais emocionantes da noite foi quando o octogenário Zeca da Cuíca subiu ao palco, tocando o instrumento com a mesma elegância rítmica e virtusiodade que o tornou conhecido no meio musical, para receber das mãos de Carlinhos da Cuíca a placa de homenagem por sua colaboração à agremiação.


Mestre Ciça


Para fechar a noite, Dudu Nobre e Teresa Cristina colocaram o público para sambar ao cantarem sambas inesquecíveis.

Gênesis. Se toda criança chora ao nascer, no caso da escola de samba Deixa Falar o nascimento foi marcado por um grito – o primeiro - de Carnaval. Aliás, o berço não poderia ser mais esplêndido para o pequeno bloco se tornar em 1927 a primeira escola de samba do Brasil: o morro de São Carlos, localizado no bairro do Estácio, juntinho à Praça Onze, que foi o celeiro do mundo do samba. Ali a batucada, o samba e o candomblé se refugiavam da truculência policial nos saraus promovidos na casa de Tia Ciata.


BICHO NOVO (Fto Fábio Silva)


Aliás, o nome (Deixa Falar) foi inventado por um jovem compositor chamado Ismael Silva, quem ao lado de Alcebiades Barcelos (o Bidê), Brancuda, Baiaco, Milton Bastos, Edgard, Marçal Velho foram os responsáveis não só por inaugurar a primeira escola de samba do Brasil, mas por uma revolução inigualável. Criaram um novo tipo de samba, um toar diferente para o maxixe com letra e batucada simples, às vezes, só com um pandeiro que era tido como samba até meados da década de 1920 do século passado.


Surdo. Foi Bidê quem teve a ideia genial de pegar uma lata de manteiga e usá-la como marcação, já que não havia recursos para ajudar a manter o ritmo e a cadência. Segundo relato do compositor Ismael Silva, eles transformaram o “tan tantam tan tantam”, para “bumbum paticumbum prugurundum”, que virou  em 1982 tema do samba-enredo da Império Serrano.

Zeca & Carlinhos da Cuica

Por essa ousadia, esses jovens compositores  foram chamados de “professores” da escola do Novo Samba, analogia a uma escola normal que funcionava nas proximidades.

Mas a presença da Deixa Falar durante o reinado de Momo durou pouco, apenas três anos (1929 a 1931), não participando sequer do primeiro desfile oficial, organizado em 1932 pelo jornal “Mundo Sportivo”.

Mas a primogênita da folia fez escola (vale o trocadilho), pois foi no mesmo berço do morro de São Carlos que surgiram a  “Cada Ano Sai Melhor”, “Vê se pode” e “Paraíso das Morenas” que se fundiram em 1955 para formar a Unidos de São Carlos, escola de samba que durou até 1983, quando foi rebatizada de GRES Estácio de Sá.

 


 Ana Crys - Rio de Janeiro

 



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